Estranho estar por um momento, sem rumo, sem direção. Sei que precisava disso porque não gosto de rotina. Meu cotidiano é feito de mudanças constantes. Não sendo assim, corro grande risco de morrer de tédio.
Hoje muito bem disposta; fiz um dia meu mesmo sem planejar. Não me isolei do mundo e nem deixei de dar atenção a pessoas queridas que façam parte da minha vida. A princípio quis companhia no meu domingo, mas agora analisando quão lindo foi estar comigo, posso dizer que era pra ser exatamente assim. Às vezes precisamos conversar com nós mesmos.
Conversei comigo a cada segundo do meu dia... Enquanto pedalava, enquanto me encantava na maravilha de uma feira de discos, enquanto queria estar com ela, enquanto analisava o porquê de querer estar com ela, enquanto andava de skate; tendo em vista a grande pista de asfalto que ainda iria percorrer, enquanto via pessoas passarem por mim com diversas características, formas e expressões, pessoas que talvez também estivessem a dialogar consigo. Conversei comigo enquanto tocava e até mesmo enquanto timidamente cantava aquilo que meu coração dizia através de músicas que traduzem meu eu. Conversei comigo enquanto retornava ao lar trazendo bagagens, sendo elas, violão nas costas, skate na mão e a maior de todas, porém, mais leve, a paz de espírito. E como se não bastasse, converso comigo agora; enquanto escrevo.
Essas conversas transformadas em reflexões foram, portanto o desnude da minha alma mostrando pra mim que direção seguir. Mudanças fazem parte da minha vida, elas nunca me assustaram, sinto que elas estão me moldando, é como se eu fosse aquela pedra precisando ser lapidada para se tornar futuramente um belo diamante.
__ Solange Cruz

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